sexta-feira, 12 de novembro de 2010

SONETO DE ÉBANO


Mil olhos me miram, tão brilhantes,
Da face escura, de negro pintada.
Mil gélidas lágrimas a deixam molhada,
Oculta pelos brancos véus flutuantes.

E hoje, como tantas vezes antes,
Esvai-se de mim a vida, já cansada
De seguir esta linha amargurada,
Resistindo às dores lancinantes.

Continuam os olhos a mirar-me,
Durante horas me seguem, perscrutando.
Até na cama, onde me refugio,

A negra face insiste em assombrar-me.
E só o Sol, quente, despontando,
Afasta a noite, e seu olhar sombrio.


Pedro Gama

Um comentário:

Baby disse...

Excelente soneto de Pedro Gama, gostei muito!
Felizmente que o Sol nasce todos os dias e o seu calor dilui as nossas amarguras.

Beijos de carinho.