terça-feira, 6 de dezembro de 2011

DESENCONTRÁRIOS


Mandei a palavra rimar,
ela não me obedeceu.

Falou em mar, em céu,
em rosa, em grego, em
silêncio, em prosa.

Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.

Mandei a frase sonhar,
e ela se foi num labirinto.

Fazer poesia, eu sinto,
apenas isso.

Dar ordens a um exército,
para conquistar
um império extinto.


Paulo Leminski

2 comentários:

LUCONI disse...

Sél querida eu gostei disso, como o Paulo expressou bem os dias que estamos sem nenhuma inspiração, são dias cinzas para o poeta, beijos Luconi

Benno disse...

as palavras possuem vida propria.