sábado, 14 de janeiro de 2012

DE VEZ - PRA SEMPRE


Despeço-me mais uma vez.
Fecho às trancas da porta
que deixei ontem entreaberta.
Lanço as chaves às labaredas
do incêndio em que te incendeio.

Despeço-me mais uma vez.
Não olho para trás.
Não tenho nos ombros o pesar.
Já não sei os contornos do teu rosto,
já não sei o sabor do teu gosto,
não sei o teu nome.

Quem é você?

Despeço-me mais uma vez.
Despojo-me do ontem,
rasgo o calendário do amanhã e
deixo cair à ampulheta que faz
do tempo seu prisioneiro.
Liberto-o da sua condição temporal.
O tempo agora não tem mais fim
é temporalmente intemporal.

Despeço-me mais uma vez.
Fecho às trancas da porta
que deixei ontem entreaberta.
Do outro lado da porta
daquele em que eu não estou,
deixo caída no chão
a ampulheta do tempo.
Essa que agora te ofereço.

Erga o cálice do tempo
sorve-o lentamente,
deixa que as gotas temporais
te caiam na ponta da língua.
Sinta a volúpia dos segundos.
És agora Dono do Tempo.
Dono da solidão intemporal
com que o Tempo te envenena o sangue.

Despeço-me mais uma vez,
De vez – prá sempre...


Maria Flor

3 comentários:

Claudia disse...

Muito lindo....abrs

LUCONI disse...

Nossa menina, você me emocionou, isto é lindo demais, muita sensibilidade, beijos Luconi

SONINHA disse...

Escolhes de forma maravilhosa os poemas, amiga! Lindo!
Beijinhos!!!!!