segunda-feira, 20 de agosto de 2012

CANÇÃO


Não te fies do tempo nem da eternidade
Que as nuvens me puxam pelos vestidos,
Que os ventos me arrastam contra o meu desejo!

Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
Que amanhã morro e não te vejo!

Não demores tão longe, em lugar tão secreto,
Nácar de silêncio que o mar comprime,
Ó lábio, limite do instante absoluto!

Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
Que amanhã eu morro e não te escuto!

Aparece-me agora, que ainda reconheço
A anêmona aberta na tua face
E em redor dos muros o vento inimigo…

Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
Que amanhã morro e não te digo…


Cecília Meirelles

Um comentário:

Sônia Silvino (Crazy about Blogs) disse...

Linda escolha, postagem maravilhosa, Sél querida!
Teus blogs me encantam por demais!!!!
Beijo grande!