terça-feira, 6 de julho de 2010

CARTA



Ouso dizer-te, meu amor,

que tua ausência
é uma distância implícita de mim.

Nossos eus se emaranham
e já não sei
em que ponto me quedo,
em que ponto te levantas.

A que limite
sou eu que te busco,
ou tu que me alcanças?

Quando prosa ritmada,
ou verso sem pé?

Faca ou colher?

Quando manha, quando ferida?
Onde pecado, onde pudor?

Em que berço
com teus sonhos me deito?
Com meus sonhos
te despertas em que leito?

Cara ou metade?
Lucidez ou enfermidade?

Se memória de ti,
Se esquecimento de mim,
já o que importa?

Onde defeito ,
um mais que perfeito,
um efêmero,
um querer-te comprido,
sem fim....

Fernando Campanella

Um comentário:

Sônia Silvino disse...

Oi, Sél queriiida!
Adoro te visitar!
Bjkas, muitas!
*Obrigada pelo carinho das tuas visitas, amiga!