segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A CESTINHA DE COSTURA



Não quero panteons não quero mármores
Não sonho a eternidade fria, escura...
Minha glória ideal é o quente abrigo
De uma pequena cesta de costura.

À sombra dos terraços florescentes

Entorna a violeta a essência pura:
Flores d'alma recendem mais fragrância
Numa pequena cesta de costura.

Batida pelos corvos da procela,

A pomba a era tímida procura:
Pousa minh’alma foragida as asas
Nesta pequena cesta de costura.

Astros que amais a espuma das cascatas!...

Orvalhos que adorais do lírio a alvura!
Dizei se há menos lânguidos arminhos
Nesta pequena cesta de costura.

Nesse ninho de fitas e de rendas...

No perfume sutil da formosura...
Vão meus versos viver de aroma e risos
Entre as flores da cesta de costura.

E quando descuidada mergulhares

Esta mão pequenina, santa e pura,
Possam eles beijar teus níveos dedos
Escondidos na cesta de costura.


Castro Alves

5 comentários:

Chica disse...

Maravilhosa poesia e apresentação por aqui!beijos,chica e linda semana!

Valquiria disse...

Uma linda poesia de Castro alves, que muito me orgulha de ler.

bjos e boa semana.

Claudiaroma disse...

Castro Alves com suas palavras fantásticas e vc com toda a sensibilidade de postar! parabéns bjs Cláudia
http://claudiaroma.blogspot.com

Baby disse...

Lindo e casto este poema de Castro Alves!

Foi uma delicada escolha.

Beijos.

Sônia Silvino disse...

Me sinto em casa aqui. Será o lilás? rsrsrs
Beijos queriiiiida do meu coração!